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Escolas como espaços de violência e sonho

Nos últimos tempos, o ambiente escolar se tornou centro da atenção nacional pela tragédia acontecida em uma escola em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. Mas o episódio extremo que matou crianças inocentes não deve ser visto como exceção e sim como um ação radical de algo que sempre aconteceu nas escolas do Brasil: a violência entre alunos e o silêncio dos educadores.

Assim, todos começaram a utilizar uma palavra importada chamada bullying, que muitos podem não saber o seu siginificado exato, mas com certeza ou foi vítima, ou carrasco ou ainda cúmplice. A modernidade do termo não pode esconder a antiquíssima utilização desse tipo de violência. Bullying é um anglicismo que descreve assédios de alguém ou um grupo sobre um outro mais fraco. Em geral, ocorre em ambiente escolar e desconheço quem – estudando em colégio - não tenha vivido essa situação.

A escola é nosso primeiro ambiente de socialização para além da proteção familiar. Lá aprendemos como nos comportar socialmente em todos os sentidos. É no banco escolar que nos levantamos para nos defender sozinhos, sem a ajuda do pai ou da mãe. É também nesse lugar que aprendemos o que é diferente de nós e que também somos diferentes dos outros. Muitas vezes, a descoberta do que é fora de um padrão, por exemplo, a menina que usa óculos, o menino obeso, o garoto afeminado, resulta em atos de violência e segregação, pois ali na escola também se desenha um microcosmo de um mundo que pode ser cruel para os não pensam em série, com mentalidades pré-fabricadas.

É com tristeza e revolta que assistimos essas cenas que aconteceram em uma escola no interior de Alagoas. Um menino mais forte dá alguns tapas na cara de outro, apelidado de Lady Gaga. A vítima é gay assumido e o agressor garante que ele espalhou para escola que os dois tiveram um relacionamento. O jovem agredido não tem nem chance de defesa.

O agressor e o jovem que gravou o bullying foram suspensos por alguns dias, mas a vítima teve o seu direito de mudar de turno negado pelo diretor da escola. Aqui, nessa negativa do educador, está o silêncio, aquele mesmo que paira sobre as inúmeras vítimas assassinadas pelos crimes de ódio no país.

Mas o mundo não é só crueldade e a escola, como seu microcosmo, pode ter algo lúdico resultante da convivência entre diferentes. O coração e mente dos estudantes têm muito a aprender. Além de aprender a se defender sozinho, somos capazes de sonhar e amar, talvez ali seja o espaço para o primeiro beijo, para o primeiro ato de tolerância como o que aconteceu na porta dessa escola em Belo Horizonte.

Escrito por Vitor Angelo às 20h26

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Blogay Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo. Foi colunista da seção GLS da Revista da Folha.


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