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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

 

Reality com drags mostra que a feminilidade é para todos

É muita "extravaganza"! Quando RuPaul, a drag queen mais famosa do mundo, dá a largada para a corrida das loucas, o que vemos pelo caminho são venenos deliciosos, necessidade positiva de autoafirmação e a amostragem de um universo que não é nada mais do que uma grande homenagem dos gays às mulheres. O reality show “RuPaul´s Drag Race” (“RuPaul e a Corrida das Loucas”) termina sua terceira temporada americana na segunda-feira, 02, pelo canal VH1. Pela mesma emissora, os brasileiros podem acompanhar toda as quintas-feiras, às 21h, a segunda temporada.

Aparentemente é mais um reality show com o mesmo formato de provas variadas, intrigas e eliminações. Mas, se podemos falar de uma certa cultura gay ou mais especificamente de uma subcultura drag, ela pode ser vista e disseminada a cada capítulo dessa disputa que elegerá a “America’s Next Drag Queen Superstar” (“A Nova Drag Queen Superstar Americana”).

Afinal, o que é uma drag queen? Diferente dos travestis e dos transexuais, são homens – majoritariamente homossexuais - , que se vestem de mulher mas não por tempo integral, em geral à noite, para realizarem performances, shows ou mesmo para certos trabalhos como cuidar da entrada de clientes em boates ou em festas. Essa mulher “inventada” pelas drags é carregada no exagero e na artificialidade, mas através dela surge uma ideia positiva e afirmativa de uma profunda feminilidade. Se por um lado, existe todo o glamour e o cuidado com a aparência que na nossa sociedade condicionamos às mulheres, elas também trazem um componente forte de humor, algo ligado às bees (não só a elas, mas essa forma caricata de construir ironias é muito exercitada nos círculos homossexuais). Enfim, as drags, de certa maneira, nos fazem ver, abaixo de quilos de maquiagem, a verdadeira conexão entre as mulheres e os gays.

Em cada capítulo, ao focar nas histórias de vida das drags concorrentes (muitas delas descendentes de imigrantes, negras, gordas, isto é, com um histórico de preconceito e superação), assim como no que elas têm de mais talentoso e único, podemos muito entender o que significa a frase repetida sempre por Ru Paul: “Mostrem-me a sua melhor mulher”. E nessa hora o babado é forte. Pois a melhor mulher de cada uma daquelas drags não está na aparência e sim na essência.

Uma essência que a cada capítulo fica evidente que não pertence só às mulheres ou aos gays, mas é algo que está em todos os seres humanos, pois todos temos um pouco de feminino em nossas almas.

Escrito por Vitor Angelo às 22h05

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Blogay Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo. Foi colunista da seção GLS da Revista da Folha.


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