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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

 

Léo Áquila é barrada em hotel por ser transexual

Léo Áquila                                                                                  Divulgação

Léo Áquila foi uma famosa drag queen entre os anos 1990 e 2000, hoje é uma transexual à espera da cirurgia de troca de sexo que pretende fazer brevemente na Tailândia. Sempre na luta pelos direitos homossexuais, ela pode mudar de sexo, mas não de caráter e dá um exemplo de como devemos responder aos atos homofóbicos: pelas brechas que sobram do judicial. Sempre com o picumã erguido!

Para entender melhor o caso, ela foi barrada em um hotel em São Paulo porque lá não aceitavam transexuais como hóspedes, isso na mesma noite da Parada Gay, no domingo, 26. Ao invés de se calar e aceitar o papel de vítima, Léo, que logo se chamará Caroline, subiu no alto de suas plataformas e foi até a delegacia fazer um B.O. (Boletim de Ocorrência), mostrando que é sujeito da história e não aceita o papel cômodo e medroso da pessoa vitimizada.

Veja o vídeo e siga/apoie o exemplo:

Escrito por Vitor Angelo às 20h26

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Os chavões do discurso homofóbico

Eu sempre digo que tenho preconceito de gente que diz que não tem preconceito, até porque são elas as portadores das formas de ódio e exclusão mais hediondas dissimuladas em nobres sentimentos, são os verdadeiros lobos em pele de cordeiro. Reparem no polêmico discurso da ex-atriz e deputada estadual (PDT-RJ) Myrian Rios, tanto quando ela faz a bizarra relação entre homossexualidade e pedofilia ou quando se desculpa da fala infeliz, faz questão de frisar nas duas vezes: “não sou preconceituosa e não discrimino” para depois usar a conjunção adversativa “mas”.

E é assim que é montado o discurso do homofóbico (e também do misógino e do racista). “Eu não tenho nada contra gays, mas...” “Imagina, não tenho preconceito, tenho até amigos homossexuais, mas...” “Acho que os gays devem viver no seu mundo, mas...” “Deus ama os gays, não sou homofóbico, mas...”

E logo depois desse “mas”, vem frases inteiras construídas na intolerância e no ódio. Existe uma covardia - por parte do homofóbico - de assumir o que realmente sente e pensa, então é preciso de uma dose anterior de falso bom mocismo pra depois explodir toda a calhordice. Os chavões sempre batem nas mesmas questões: o antinatural, o que supostamente está escrito na Bíblia, os inimigos da família, a imoralidade, os que querem privilégios. Sem falar das inversões perversas, se os gays são contra família porque lutam então pelo direito de casar e adotar filhos? Se é antinatural, porque na natureza, criada por Deus - para o chamado povo Bíblia -, encontra-se mais de 450 espécies de animais que registram comportamento homossexual?

Como já escrevi aqui, é importante que os gays respondam esses insultos de maneira direta e clara. E uma forma muito divertida acaba de surgir em forma de tumblr, o Não Tenho Preconceito. Pega-se comentários homofóbicos dissimulados e questiona-se o enunciado, em geral, com humor e ironia. Abaixo coloco dois exemplos:

Enunciado: Sou judeu, não sou homofóbico, mas não concordo com a união homoafetiva e quero ser respeitado

Resposta: Sabe quem queria ser respeitado ao “não concordar” com os judeus? Hitler.

Enunciado: Hoje é orgulho a notícia que o Brasil celebra o primeiro casamento gay. E ai de quem não gostar, não se pode nem contrariar que é homofóbico

Resposta: É, porque “não aceitar que gays se casem” é bem diferente de ser homofóbico.

Escrito por Vitor Angelo às 22h12

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Myrian Rios: combate-se o preconceito com preconceito?

Comoção nas redes sociais. A ex- atriz e deputada estadual (PDT-RJ) fez uma polêmica declaração recentemente no plenário da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) e acabou vazou na internet: “não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um homossexual como meu empregado, eventualmente. Por exemplo, digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. São os mesmos direitos. Eu vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas [as crianças], e eu não vou poder fazer nada [...] Se eu contrato um motorista homossexual, e ele tentar, de uma maneira ou outra, bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo. Eu quero a lei para demitir sim, para mostrar que minha orientação sexual é outra. Eu queria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie.”

Pronto, estava armado mais um debate sobre uma infeliz declaração. Claro que religiosos fundamentalistas e homofóbicos saíram em defesa da ex-esposa de Roberto Carlos, enquanto defensores dos direitos humanos e dos homossexuais criticaram a lamentável relação que a ex-atriz fez entre pedofilia e homossexualidade.

Logo surgiram também fotos da atual católica praticante em poses sensuais na finada revista masculina "Ele & Ela". Bastou isso para que os comentários engraçados como lambisgóia se transformasse naquele famoso diminutivo para prostituta. O jornalista Mario Mendes chamou a atenção em sua página do Facebook sobre o fato: “[publicar as imagens de Myrian Rios sensual na revista] para tentar desmoralizá-la, não é tão preconceituoso quanto o discurso da própria? Além de ser incoerente com a posição de quem está lutando por direitos igualitários e contra a intolerância?”

Essa questão acima é fundamental no debate sobre os direitos gays. Muitas vezes, usa-se o preconceito para combater o preconceito. Muitas vezes, veladamente, insinuar maliciosamente e em tom pejorativo que tal pessoa, político ou artista é gay, sendo você também homossexual, é reforçar a intolerância que se pretende combater.

Em tempo: Myrian Rios pediu desculpas publicamente, nessa terça-feira, 28, no plenário da Alerj.  "Sempre prezei pelo respeito, misericórdia e perdão. Deus ama todas as pessoas, independente do que elas são. Não sou preconceituosa e não discrimino. Eu repudio veementemente o pedófilo e jamais tive a intenção de igualar esse criminoso com a homossexualidade".

Escrito por Vitor Angelo às 20h07

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Primeiro foi a visibilidade, depois veio a violência e agora a denúncia

“Por favor, queria a Polícia Militar aqui do lado do trio porque estão assaltando pessoas, não são nem gays, nem lésbicas, nem pessoas que vieram apoiar nossa manifestação, são assaltantes que vieram tumultuar nossa Parada”. Algo mais ou menos assim foi dito ao microfone do alto do primeiro trio, logo no início da 15ª Parada Gay, que aconteceu neste domingo, 26, ainda no Masp, na Avenida Paulista.

Quase no fim da passeata, já na Consolação, passando da rua Piauí, no último caminhão da Parada, uma voz ao microfone também denunciava abusos de pessoas que foram ao evento para estragar o caráter pacífico da manifestação. “Esse de camisa xadrez, é ele, Polícia Militar faça sua parte”. E as próprias pessoas presentes cercaram os que estavam sendo apontados por atos de violência, vaiando e esperando a chegada a polícia.

Essa foi uma grande e feliz novidade na Parada. Se as primeiras marchas trouxeram visibilidade para os homossexuais, depois, quase que como uma resposta (escrota) de uma certa parte da sociedade que ficou indignada pela audácia das bichas, travecas e sapatãs saírem às ruas e mostrarem suas caras, veio a violência. E com ela, o silêncio, o triste silêncio dos agredidos.

No começo dos atos de violência durante o evento, a própria Parada via a denúncia desses fatos como algo que denegria a imagem dos primeiros eventos como manifestação pacífica. Mas algo mudou, e a denúncia, oficial – feita pelo microfone - e com apoio das pessoas nas ruas apontam um novo momento: não vem tripudiar com as bees, não, que o babado agora é forte.

                                                                         Rivaldo Gomes / Folhapress

Escrito por Vitor Angelo às 21h44

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Parada Gay tem manifestação pela paz, valsa de Strauss e skinheads antifascistas

A diversidade não é apenas uma palavra de ordem quando se fala na Parada Gay de São Paulo. Frequentada desde sua primeira edição por heterossexuais simpatizantes dos direitos dos homossexuais, que na época ficaram conhecidos como simpatizantes, o protesto dos gays transforma a avenida Paulista em um palco de divertidas e importantes manifestações de ideias que se interligam com a luta contra a homofobia.

Na 15ª Parada Gay, neste domingo, 26, acontece um flash mob  - espécie de performance interativa marcada em geral pelas redes sociais da internet ou e-mail e que dura poucos minutos -  às 13h30 e todas as pessoas presentes estão convidadas a participar. Em homenagem aos 15 anos da Parada, tocará um clássico dos bailes de debutantes, a valsa "Danúbio Azul", de Johann Strauss 2º e pede-se para que se formem casais e todos dancem a música.

O último trio da parada, o 16º caminhão, pede para que as pessoas usem roupa branca ou pelo menos uma camiseta para se manifestar pela paz. Os organizadores dessa ideia escreveram um manifesto que em um trecho diz:

“Nos últimos 5 anos, aumentou em 113% o número de pessoas assassinadas, vítimas da homofobia. Sim, a homofobia mata!
No ano passado, a região da Avenida Paulista, palco da Parada do Orgulho LGBT, se tornou também cenário de manifestações homofóbicas cruéis e violentas contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Outros cidadãos como os nordestinos também foram vítimas de agressões no mesmo lugar, que deveria ser símbolo da convivência pacífica entre os diferentes em nossa cidade.Todo brasileiro tem seu direito à segurança garantido pela constituição. Porém, a cultura da violência tem tornado nossa sociedade mais dura, triste e egoísta.Acreditamos que é possível conviver pacificamente com nossas diferenças, garantindo os direitos de todos, inclusive das minorias. Essa é a sociedade democrática que queremos e lutamos!Uma democracia com justiça e paz só será possível quando for cumprido o princípio constitucional de um Estado laico.O ano de 2011 deve ser um novo começo para nós. Juntas e Juntos podemos transformar a intolerância em respeito, o ódio em amor, a violência em paz.E é por essa razão, que ativistas de direitos humanos, ex-presos políticos, religiosos contra a homofobia, homens, mulheres, pessoas com deficiência, ativistas pela paz, LGBT e os 3 milhões de pessoas nessa parada estão unidos em fazer desse país, um Brasil melhor, democrático, laico e digno de sua população”.

O coletivo Rash-SP, formado por skinheads antifascistas, (sim, eles existem e apoiam a causa gay faz bastante tempo) estará panfletando na avenida um texto chamado “Nem Marcelo Tas nem Kassab” ao qual criticam a organização de tornar, a cada ano, a Parada mais conservadora, homenageando tanto o apresentador como dando espaço para o prefeito.

Tudo isso mostra acima de tudo o caráter democrático do evento, onde existe espaço para o lúdico, ideias e críticas e são saudáveis que elas existem.

Escrito por Vitor Angelo às 11h11

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Blogay Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo. Foi colunista da seção GLS da Revista da Folha.


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