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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

 

Palmeirenses reagem contra faixa “A Homofobia Veste Verde”

De repente, como quem não quer nada, a torcida organizada Mancha Verde se posicionou na frente da entrada da Academia de Futebol, na quarta-feira ,04, em São Paulo e ostentou, mesmo que por pouco tempo, a faixa: “A Homofobia Veste Verde”.  A cor é o símbolo do Palmeiras.

Sabe-se do alto grau homofóbico de muitas organizadas, que chegam a proibir o uso de brinco ou cabelo comprido entre seus filiados, como se isso fosse sinal de “viadagem”. Sabe-se também do alto grau de preconceito contra o jogador Richarlyson, considerado homossexual e por isso indigno de jogar em que clube for. A ligação (tosca) é esta: a organizada, apavorada como uma menininha no escuro, quis dar seu recado à diretoria do clube que não queria o craque no time. E para isso, deu um show de intolerância.

Mas a resposta ao ato não tardou a surgir dos próprios palmeirenses. “Será que na origem desse tipo de manifestação homofóbica estão os medos, traumas e frustrações que buscamos evitar quando escolhemos um time e projetamos nele nossa própria imagem? Acho que sim. Mas se isso não nos impede de superar rivalidades regionais e idolatrar argentinos, chilenos, jogadores que até a temporada passada estavam nos times rivais e uma infinidade de outras situações, por que então não é possível aceitar no time um jogador gay bom de bola? Eu sou palmeirense e quero um time que jogue bem e ganhe títulos. Os jogadores podem ser brancos, pretos, gays, japoneses, vesgos ou canhotos. Eu quero é que o cara dentro de campo jogue bem. Se ele ficar com frescura caprichando no nó da chuteira na hora do adversário cobrar falta, isso sim é um problema grave. O que ele faz fora do campo, não é”, escreveu Marcelo Marchesini no blog Vai Parmera, criado pelo palmeirense Luiz Fernando Moncau.

Nesta sexta-feira, 06, no mesmo blog, Rodrigo Savazoni escreveu um texto com o título: “A esperança é verde. Homofobia? É crime!”. Ele coloca: “O que é verde, meus caros, é a esperança. A esperança de vivermos um dia em um país em que os direitos humanos sejam respeitados, em que jogadores raçudos e competentes como Richarlyson não sejam perseguidos por sua orientação sexual (seja ela qual for), em que a democracia se imponha sobre a barbárie. Homofobia deveria ser crime. Não é, porque este é um país com um alto déficit democrático, mas estamos avançando”.

Essas posições que Luiz Fernando Moncau resolveu abrir para rebater a faixa homofóbica mostra que acima do fanatismo de qualquer torcedor, seja de que time for, está o cidadão, seja ele verde, preto e branco, azul, vermelho...

Escrito por Vitor Angelo às 23h20

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2012 começa com gays sendo o estranho fruto

Estranho fruto, era assim que parecia para a escrita do judeu Abel Meeropol (que usou o pseudônimo de Lewis Allan) e para a voz da negra Billie Holiday, os linchamentos de negros no sul dos Estados Unidos na década de 1930. Um fruto de sangue, que arde ao fogo. “Here is a strange and bitter crop” [“Temos aqui uma estranha e amarga colheita”].

A música, um dos maiores sucessos de Lady Day, é uma resposta mais que além à altura contra os racistas e seus atos de violência. Uma nota musical profunda contra o soco no estômago. E eles nunca desistiram. Foi uma longa sinfonia até os negros conseguirem seus direitos civis nos Estados Unidos.

Em 2012, no Brasil, os homossexuais são hoje o estranho fruto. Na virada do ano, um casal de lésbicas sofreram violência física depois que recusaram paquera do agressor. Já no dia 02 de janeiro, um idoso homossexual foi assassinado por jovens depois de relação sexual.

No dia 04, homossexual foi executado em estrada de Alagoas. No mesmo dia, uma torcida organizada exibe com orgulho: “A Homofobia é verde”, em alusão ao time que torcem. Em Tocantins, no dia 06, um professor gay foi morto a facadas.

Diante tanta barbárie só nos primeiros dias desse ano, ainda com sob a decoração natalina, casais gays andam de mão dadas pela Paulista, numa espécie de resistência amorosa contra tanta violência. Assim como os negros, a ideia de resistência é feita de maneira mais natural possível. E a possibilidade de existência e respeito a esse estranho fruto se impõe, se imporá.

Escrito por Vitor Angelo às 23h05

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Blogay Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo. Foi colunista da seção GLS da Revista da Folha.


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